Maio 17, 2008
Maio 16, 2008
Abril 29, 2008
Escrito às 20:00 do dia 29 de Abril de 2008
Não estou com a minha irmã, com a minha avó, com o meu avô, nem com os meus pais, nem com a minha madrinha nem com os meus outros avós. Mas vou estar com o meu padrinho, a minha tia e o meu afilhado de dois anos e meio.
Não estou com a Joana, com o Jaime, com o Mário, com o Fred e a Marina está na Polónia.
Mas estive ontem com o Tiago, com o Miguel A., com a Filipa, com a Cláudia, com a Milene, com a Joana e o Tiago de RI, com o Vasconcelos, com a Professora Isabelinha e com o Paris.
Hoje estive com a outra Filipa (a loira!), com o Tiago de CP, com a Tânia, com a Paula, com o Filipe e com o Pedro.
Estive rodeada de boa gente. Amigos. Pessoas que me querem bem, que eu quero bem, e que é genuíno porque já não há como o não ser, quando se ultrapassa a idade do armário e quando o clima depois de três anos é de cooperação, apoio, suporte, projectos de braços dados.
O Paris consultou o meu blogue há uns dias. Ficou surpreendido porque viu um poema nele. Estou no terceiro e penúltimo ano de Ciência Política. Isso nota-se ao pequeno-almoço, ao almoço e ao lanche - todos eles na faculdade. Já nos é tão intrínseco discutir as boas e más-novas que outra coisa não fazemos. Ontem foi a Ferreira Leite. Hoje ao almoço foram as empresas de consultoria. Ai. Em que canto ficam os escritos, as palavras de mim? Aqui e nos Megabytes que tenho no pc de letras e letras digitadas em vão, aqui e nos papéis grandes e pequenos, nas costas dos bilhetes de comboio suburbano, nos lenços de papel, nos cadernos bonitos comprados propositadamente para receber os meus alegadamente merecidos escritos... Mas é tudo em vão. Continuo a escrever, desenfreadamente, quando a sanidade me deixa concentrar em mim mesma e não no todo colectivo, naquele todo com o qual me preocupo tanto que faz com que me rotulem de esquerdalha - mas tão depressa sou anarca como autocrática. Na verdade, ninguém sabe de mim - nem eu! - e não tenho feito por saber. Não tenho feito por saber, não.
A minha mãe educou-me à base de metáforas. A primeira delas todas é a preciosa: "a inteligência é uma espingarda sem balas". A segunda, advém do amor: "sou tua mãe e sou o teu pauzinho de feijoeiro. Cresce e eu estarei sempre para te suportar". A terceira é a útil: "carregas às costas uma mochila que recebe competências. Todos os dias pões uma nova e vais procurando outras. Um dia as usarás para arranjares emprego. Por agora e também lá, usa-as bem".
Tenho-as sempre presentes. Penso nelas quando me olho ao espelho de manhã. Venho a pensar nelas no caminho, no autocarro, enquanto três ou quatro, eu incluída, se encontram numa discussão interessante com o Bruno Góis sobre o Estado Novo. Penso nelas quando me visto sabendo que tu irias dizer que as sapatilhas ficam horrorosamente mal com esta saia que, apesar de comprida, é mais de Verão que este tempo híbrido que tem estado. Penso nelas quando me dói um bocadinho que este seja o primeiro ano em que não tive um bolo de aniversário, que fazes questão de fazer, à minha vontade mas sempre decorado por ti, com o carinho e ternura que só tu, só tu Mãe, consegues colocar naquele amontoado de ovos e farinha.
Fiz-me Mulher? Bah, que sei eu? Às vezes tenho que vestir coisas de crescida e já me parece natural e é-nos tão estranho, este sentimento de pré-licenciada, este sentimento de que o verdadeiro mundo novo vem aí, que ter vindo para a faculdade a 300 km foi o início daquilo a que se pode chamar a *minha* vida.
É minha porque antes não era. Faz sentido, pois. Foi aquilo que disse à Filipa no outro dia, somos outras, porra! Somos outras porque já nos individualizámos de tal forma, enquanto seres pensantes, que já não somos nem propriedade da família nem do grupo de pares. Somos nós, sou eu. Até há pouco tempo, eu era uma extensão da família, como um braço de um círculo, devidamente incorporada no todo social com toda a influência que isso acarreta. Hoje sou eu um círculo, com ligações a círculos que têm ligações centrípetas ao meu: a família, os amigos, os trabalhos... tudo isso são círculos unos e individuais, tal como eu o sou e qualquer humano (que tenha começado o longo e infinito caminho do auto-conhecimento) o é.
Em Setembro vou para Trieste, Itália e, excluindo visitas, volto em Junho de 2009. Concluirei lá a licenciatura, se tudo correr de feição. Farei por isso e às adversidades que encontro sempre, mas sempre, e que não me largam desde aquele fatídico final do 11º ano, vou dizendo o que sempre digo: saiam, quero fazer-me mais e quero fazer de mim mais.
Mais o quê? Sempre mais, de qualquer coisa. Absorvo tudo - mas com calma, aprendi a dosear e é bom. É bom fluir, é bom ser a blackbox de um sistema, é bom receber inputs e emitir outputs sob a forma de palavras e gestos que são meus.
E só hoje, mas só hoje, é que fez sentido para mim a palavra "parabéns". Só hoje é que fez sentido para mim o acto da congratulação. Cada ano da vida é uma vitória. Pelo menos, é-o para mim, é-o a partir de hoje, é-o a partir desse momento iluminado, de lucidez e felicidade intensa. Festejei o meu décimo-nono aniversário porque quis. Porque não abençoeei, nem disparates do género, a vida que me deram, antes a aceitei e tomei-a como minha. E, como minha, este é o décimo-nono ano de vida que eu estou a aceitar, a tomar como meu. A vida é minha. O meu décimo-nono ano também. Poderia optar por não ter o vigésimo. Podia ter optado por não ter o décimo-oitavo. Saber que o faço em plena consciência, saber que tenho controlo sobre esta acção básica mas magnífica, saber que disponho da minha vida, saber que a posso perder, saber que a posso conservar ou deteriorar... saber tudo isso dá-me a sensação de poder. Poder relativo, claro, sei contar com as externalidades. Mas jogo com elas - como todas/os nós - e a partir de hoje, jogarei com mais felicidade por o estar a fazer. Porque a opção é minha, e foi uma vitória pessoal muito grande ter chegado aqui. Por isso, parabéns a mim, que nasci e optei por crescer, crescer, crescer...
Abril 24, 2008
Abril 21, 2008
State of art
Abril 15, 2008
Março 18, 2008
Capital Social
Qual linfa intersticial, o capital social é um conceito relativamente recente nas Ciências Sociais. Dizem-no vulgarizado há vinte anos e, em Portugal, ao que parece, é agora que o meio académico começa a despertar para este conceito como um conceito que vale só por si.
O ano passado, num trabalho que tive de fazer para a cadeira de Sociologia, houve uma frase minha que acabou numa interrogação: “não deveria a Ciência ter um carácter normativo”? A Professora, numa nota à sua correcção, escreveu: “só esta ideia dava para um trabalho…” e agora é que vejo mesmo que ela tinha toda a razão.
Temos um historial de classe(s) política(s) déspota(s) enquanto classe(s), fiel a uma falsa manutenção de uma ordem sempre inexistente. Quanto mais conheço a História do meu país, que não é aquela que me contaram na Escola Primária, melhor a introspecção de nós mesm@s se torna. Mais imediata, pelo menos. Quanto mais conheço a História do meu país, menos fé tenho em nós, menos me apetece mudar algo a que não escolhi pertencer e que fui ensinada a amar (com um culto ainda mais intenso do que o culto a Deus a que a minha educação Católica me obrigou).
Não fui feita para amar abstracções. Nos meandros da minha irracionalidade, apetece-me calar Maquiavel e Napoleão, com os seus Estados e Vive la Nation.
Mas é só mesmo nos meandros da minha irracionalidade. No dicotómico mote de ordem e progresso, há um a juntar-se-lhe: igualdade e liberdade. Começam quase por ser correspondentes, nesta selvajaria capitalista e liberal, onde o fosso entre ric@s e pobres aumenta diariamente e que tem como catalisador o próprio apregoar de uma igualdade barata que só existe para quem o rei não vai nu.
Nunca se poderá aplicar uma lógica maniqueísta na utópica resolução de um conflito eterno. Mas se sem lugar é a resolução do conflito, toma lugar o presente nas nossas vidas. E há um conjunto de relações estabelecidas, efectivamente, entre os agentes colectivos ou individuais que, aparentemente, são o maior contributo da força motriz deste Estado. Relações de desconfiança e inveja, relações de competitividade mesquinha – da autarquia a Lisboa, de Lisboa à autarquia, nas empresas e das empresas a elas mesmas, há um clima de não cooperação – o aproveitamento de recursos não existe, “cortam-se árvores porque fazem sombra a arbustos” e cooperação é um mito. Mais do mesmo...
Etiquetas: capital social, desigualdade, inveja
